segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pedrinho

Pedrinho sentia vontade de viver a vida. Vontade de viver tudo aquilo que a graduação, a vida ou quem sabe que empecilhos que essa vida afligiu sobre sua antiga vida. Pedrinho é aquele tipo de cara cheio de amor nesse seu coração meio gigante. Pedrinho é o homem de 23 anos que possui uma alma de criança, o sorriso mais torto que alguém poderia ter e 190 cm de pura sedução. Um dos poucos capricornianos que não possuem um pé no chão e que doa mais de si pros amigos do que de si a si mesmo. É sobre isso que eu nunca escrevi e venho aqui escrever. Escrever sobre aquilo que nunca observei mas que inferi. Ou talvez eu já tenha observado mas com os meus próprios olhos essa história, mas essa história é a história de uma parcela da minha vida. Quem tá aqui pra ler sobre a minha vida? Queremos saber sobre a vida de Pedrinho. Ou Pedrão já que ele é imenso. Pedrinho sente que não vive a própria. Por sinal, ele nem sabe bem o que é, o que gosta ou o que o faria feliz. Pedrinho vive a vida dos outros. Ele é um 'Zelig'. Ele se culpa por não viver a sua. Acredita ele que está na hora de tomar o controle da sua vida. Mas, como ele pegaria isso se ele nem ao menos sabe o que é essa vida? Não me entenda mal, mas o que a 'vida'? Sua vida? O que queres fazer, ser e conquistar? Quais seus planos pra amanhã? Quais seus planos pra depois disso tudo? O você quer fazer agora? Poderíamos dissertar sobre tudo que Pedrinho pode fazer. Pedrinho que experimentar e ao mesmo tempo não se arriscar. Ele beija, bebe, dança, se liberta, paga boquete, recebe boquetes. Vida, mas ele não se liberta. Há um freio em seu ser. Há dúvidas, mas há convicções. Há tanto para conhece-lo. Há tanto para mostra-lo. Você deveria mostrar a ele a vida. Ou 'você' deveria fazer isso. Ou ninguém talvez ajudasse nessa coberta. As pessoas podem até contribuir, mas ninguém além dele poderia tomar tal decisão. A decisão de viver o que há de ser vivido. Sentido. Do choro ao sorriso. Do belo ao feio. Do calor ao frio. Do bom ao mal. Captar tudo e processar em textos, lembranças ou o que eu mais gosto de definir, vida. Refletir sobre tudo que se é, o que foi e o que queria ser. Vê filmes. Discuti-los. Comer sushi. Andar de bicicleta. Ser o que der vontade. Somar pessoas pra viver tudo isso. Não ter ninguém para viver seus momentos vazios. Ler artigos. Ler o que vier o que der. Pedrinho deveria ser mais ele que eu ser eu. Pedrinho deveria descobrir o que é amar o que é. Talvez ele já, ele só deveria aprender ou descobrir, redescobrir o que é amar o que se quer ser.