terça-feira, 20 de outubro de 2015

Dih e o Gordo

Uma mensagem chega no meu celular. Olho. Aquele rapaz de quinta que eu conheci com os meninos. Diogo? Pedro? Não lembro ao certo. Respondo. Áudios vão e voltam. Recebo um dos desabafos mais fofos, lindos e sinceros que já pude ouvir. Li imaginando lágrimas caindo do seu rosto tão novo, liso e branco. Seu olhar perdido em lembranças enquanto aquele riacho de água salgada de dor descia.

Esse rapaz tem nome. Dih. Dih é uma pessoa verdadeira nesse mundo de bosta. Dih tem um bom coração, estuda sempre que pode e fuma seu Malboro. Há muito tempo Dih conheceu Gordo. Gordo é um rapaz que não conheço mas que parecia ser a pessoa mais encantadora aos olhos de Dih. Foi paixão assim que Dih olhou nos seus olhos e naquela sua frase tão marcante, que parecia tatuagem em sua mente "não fume quando estiver comigo". Gordo cativou seu coração. Gordo sempre queria mais e mais de Dih. "Quando vamos nos vê?", "Que dia tu pode?" ou "Pode ser aqui e casa?". Gordo sempre usava essas frases na maioria dos seus diálogos ou na maioria das vezes que eles se despediam ou cogitavam se vê. "Não sou desses que transa logo de cara. Ele me cativou aos poucos" disse-me Dih.

Ao passar dos dias, semanas e meses, Gordo parecia aquela arritmias do coração. Dih não sabia como agia ou o que fazer pro seu coração para de ser tão maluco. "É amor", Dih pensou. Não sei em quantas coisas ele já acertou nessa vida, mas nisso ele ficou imensamente certo.

...

Gordo ficou distante. A cada segundo ele parecia um passo mais longe de Dih. Dih parecia o parceiro barraqueiro. Que fez chilique. Fez o 'Catrina' num copo de cachaça (aquela bebida pra esquecer mal do coração). Dih ponderou e reponderou. Dih descobriu talvez uma das maiores mentiras da sua vida, redescobriu a dor do amor e ganhou um amigo (no caso dois por que me incluo nessa lista). Dih não suportou mais o silêncio. Não suportou essa falta. Dih mandou um dos maiores tetos que já li euqe ja vi alguém mandar pra alguém. Estamos falando de amor e nisso a gente erra feio em tentar prevê alguma coisa.

Então, gordo (se é que eu ainda posso te chamar assim), eu infelizmente tava te achando "encantador" (esse sou eu me perdendo nas palavras mais uma vez) por causa do jeito que tu transbordava ser quando estava comigo,  pelo jeito que tu olhava, pelo jeito que tu perguntava “quando que a gente vai se ver de novo?” e isso piorou quando tu perguntou como que tava minha vibe. Me senti esperançoso, contente (eu acho), tanto é que respondi de uma forma bem nada a ver e quando tu reforçou a pergunta no outro dia, isso só fez aumentar, tanto é que esqueci de perguntar como que tu tava, vim fazer isso 1 semana depois. Logo após o rock in rio tu ficou diferente, eu ainda me pergunto o “porque”. Se afastou muito. Não tinha mais o “que horas tu larga?”, tava estranho. Aos poucos foi se afastando e eu ainda não entendo o motivo. Havia te chamado pra ir ao museu pelo fato de eu nunca ter ido e por também irem 2 amigas minha com os namorados dela, eu iria fica
r de vela. Não existe isso de “não gosto do lugar”, o que existe é “vou pela companhia”. Existe sacrifício quando se gosta de alguém, gordo, e isso é lindo de se ver. Meu chilique foi por esse motivo. Depois disso tu se afastou de vez. Eu pedia pra te ver, tu falava que tava ocupado, que isso e aquilo. Não chegou pra mim e disse “olha, não ta dando”. Ultima vez que a gente se viu, eu senti que ia ser a ultima vez. Sou meio sensitivo com essas coisas. Não rolou o “quando vamos nos ver de novo”. Depois disso tu “sumiu”. Pedi outra vez pra te ver e não rolou. Fico feliz por eu ter perguntado se eu ainda deveria pensar que tinha algo, porque se não tu iria continuar se afastando aos poucos, sem falar nada, isso de qualquer forma machuca, gordo. A viagem não é algo que atrapalha, como eu disse: quando se gosta de alguém, a pessoa se sacrifica.


Eu era o único a gostar, infelizmente. Uma coisa que eu aprendi é que devo me doar, mesmo que não seja recíproco. O amor é algo que não se deve cobrar a ninguém, porque é algo espontâneo. Ainda gosto e isso dói. Tem gente que esquece uma pessoa conhecendo outra, eu acho isso terrível. Eu esqueço ouvindo música, inclusive irei deixar uma abaixo desse texto que define aquele dia do open, que a gente se conheceu. Defini perfeitamente o momento e o que eu senti. Peço que escute com carinho. O nome da música é “Enchated”, da Taylor Swift.

Dih abriu seu coração e não imagino que seja a primeira vez. Dih descobriu que tem gente que não sabe amar ou talvez que nem queira sentir isso. Que tem gente que não da a mínima pra gente. Pros nossos sentimentos. Pra nada.

Por Dih dá aquele grito ao mundo "Eu só queria sinceridade. Sinceridade é o principal de tudo.Queria que ele tivesse deixado claro desde o início". Era só isso. Um último pedido. Pena que não tem mais pedido. Tem só o Dih, seu coração partidos e todas as músicas de amores não correspondido que o mundo já criou.